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DAMNED Primeiro grande ícone do punk rock inglês a tocar no CBGB, meca nova-iorquina do gênero, o Damned aparece meio desfigurado neste disco que compila várias gravações inéditas extraídas de sessões para programas da britânica Radio One, subsidiária da estatal BBC. Aqui parece que toda a história do grupo começa em 1979. Injustificavelmente, foram limados os três primeiros anos, quando, sob o comando do guitarrista Brian James (que tocara antes com o pessoal do Clash e anos depois formaria o gótico Lords Of New Church com o ex-Dead Boys Stiv Bators), o Damned botava fogo em meio mundo com velocidade extrema e clássicos como "New Rose". Explica-se. Depois da primeira cisão, em 1978, os remanescentes Dave Vanian (vocais), Captain Sensible (baixista que adotou depois a guitarra) e Rat Scabies (bateria) voltaram a tocar juntos e ganharam legalmente o direito de usar o nome do grupo. Com o novo baixista Al Ward, o Damned mudou um pouco em sua segunda fase. Um bocado da rapidez e do peso foram trocados por ganchudas linhas melódicas (algumas tornam as faixas verdadeiros hinos) e arranjos com nuances bem sombrias, sobrecarregadas pelo timbre grave dos vocais de Vanian. Novidades como "I Just Can't Be Happy Today" (hit com um pé na new wave que aqui aparece em nova versão, com parte da letra inédita), "Liar" e "Plan 9 Channel 7" anunciavam, então, uma nova revolução no rock britânico, antecipando em alguns anos a soberania do preto - o que leva à conclusão de que gente como Cure, Sisters Of Mercy e até mesmo os darks disfarçados de engajados do New Model Army e o pseudogóticos do Mission devem ter ouvido muito Damned antes de começar a fazer sucesso. Resquícios dos podres tempos punk, porém, ainda são ouvidos em "Noise, Noise, Noise" e "Drinking About My Baby". Com a entrada de outro baixista, Paul Gray, em 1980, o Damned pisou ainda mais no freio. Dedilhados de violão, texturas teclados ao fundo, melodias calmas, versos por vezes falados (tudo isso em "Dr Jeckyll & Mr Hyde"), generosas doses progressivas ("History Of The World" é clara herança do relacionamento do grupo com o produtor Nick Mason, integrante do Pink Floyd) e um indisfarçável acento pop passaram a ter na receita sonora tanto peso quanto o passado punk. A massa desandou de vez tempos depois. A adição de dois novos integrantes (um outro baixista de nome Bryn Merrick e Roman Jugg se dividindo entre tecladinhos chochos e guitarras burocráticas e sem qualquer contundência) não escondeu a decadência do quarteto. Pastiches meio hard rock meio progressive pop ("Stranger On The Town", "Limit Up" e "Smash It Up", todas gravadas em agosto de 1984) nem de longe lembravam aquela banda furiosa que uma década antes dividia os palcos com Clash e Sex Pistols. A tampa do caixão foi fechada no ano seguinte com mais um punhado de faixas tão semelhantes quanto fracas. O Damned preferiu tomar a decisão mais correta e sensata e, desde então, vem se reunindo apenas para ocasionais apresentações nostálgicas. .Os textos só poderão ser reproduzidos com a autorização dos autores |